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Entre enigmas e roteiros

Y, habitante de outro planeta, chegou há algumas semanas ao Brasil, em uma visita que faz parte do estudo interplanetário que tem desenvolvido nos últimos anos sobre como são e quais são as motivações de datas comemorativas em diferentes localidades. Na semana do dia 12 de junho, para sua pesquisa, Y reuniu-se com um grupo de adolescentes para investigar sobre a data conhecida como “Dia dos Namorados”. Y esclareceu sobre a proposta:

- Namorar deve ser um hábito de vocês muito interessante, para terem escolhido dedicar uma dia em todos os anos para celebrá-lo. Gostaria de saber mais sobre o que é namorar. Gostaria também de experimentar, para vivenciar de forma mais direta o que estou pesquisando. Que sugestões vocês me dão? O que faço para namorar? Como as pessoas aqui namoram? Como as pessoas aqui encontram alguém para namorar?

A cada conversa com o grupo, as anotações de Y sobre o namorar vinham acompanhadas de mais estranhamentos e interrogações. As interações entre seres daqui lhe pareciam muito inusitadas.

Por que o namoro e, mais especificamente, o início do namoro, geravam em Y tanta curiosidade? Y explicou que, em seu planeta, os contatos entre seres eram bem mais simples. Quando dois seres se encontram, o hábito é encostarem os dedos indicadores e, em seguida, falarem em voz alta quais são seus interesses, em uma prática conhecida como “indicação”. Descreveu Y:

- Encosto o dedo no dedo em alguém e digo “beijar”. Ou “conversar”. Ou “fazer carícias sem as roupas”. Ao mesmo tempo, ouço o interesse do ser que está com o dedo encostado no meu. Se as intenções coincidem, seguimos adiante para realizarmos nossos interesses propostos. Se as intenções forem distintas, nos despedimos gentilmente e nos afastamos, para prosseguimos buscando novos contatos, já que em breve nos aproximaremos de alguém com disposições compatíveis. Quando as relações são mais contínuas, a prática da “indicação” é repetida periodicamente, para avaliarmos: expectativas coincidentes, a relação contínua; expectativas diferentes, partirmos para novas buscas.  

“Assim fica muito sem graça”, foi a primeira resposta ouvida por X no grupo de adolescentes. “Sem graça?”, Y perguntou em seguida, expressando discordância:

- Não, é muito estimulante e muito prático. Qual é a graça de entrar em uma relação se você não sabe se quem você se relaciona quer o mesmo que você?

            Na mesma semana das primeiras conversas, Y foi com os garotos e garotas para uma festa, para poder observar mais informações sobre como as interações acontecem. De madrugada, Y estava em um canto perto da porta, com uma aparência de cansaço e perplexidade. Na hora de ir embora, os questionamentos de Y foram muitos:

            - Como é que vocês conseguem viver assim? Vocês se olham, depois desviam o olhar. Vocês sorriem, se olham de novo, como isso demora! Se aproximam, se afastam, se aproximam de novo. Mesmo quando se beijam, não dá para saber se continuarão se beijando ou se logo irão fazer outra coisa. Como vocês conseguem fazer tantas coisas quase sem usar palavras?

            Havia ainda outra curiosidade marcante:

            - Gostaria de conhecer sobre os ingredientes que vocês colocam nessas bebidas que vocês tomam. Vocês ficam tão diferentes depois de bebê-las!

            Risadas foram as reações mais frequentes após as perguntas de Y. Na manhã seguinte, quando tentaram explicar com mais calma sobre o que Y havia observado na noite anterior, as garotas e garotos também se confundiram. Não sabiam muito bem como definir como as relações acontecem. Em um momento do diálogo, comentaram:

            - Fiquei com inveja de você, Y! Queria tanto me aproximar de uma pessoa, mas não tinha como saber as intenções dela! Tudo se resolveria tão rápido se fosse apenas uma questão de encostar os dedos...

- É mesmo desgastante ficar tentando adivinhar se a outra pessoa te quer ou não.

- Discordo. É a parte mais divertida e desafiante.

- Pra vocês é fácil, ficam lá só dançando e se divertindo, não são vocês que chegam na garota sem saber se vão levar um fora – disse um adolescente, dirigindo-se às garotas.  

-Como assim?, perguntou Y, As garotas não chegam para demonstrar interesse também?

Foi uma pergunta que gerou muitas polêmicas, assim como a dúvida sobre quais motivos levam duas pessoas que se conhecem a desejarem namorar. Entre respostas com motivos românticos, com motivos de desejo sexual, com motivos de aliviar a carência e/ou de buscar cumplicidade, o consenso parecia algo muito distante. Y, então, indagou:

- Se vocês não conseguem chegar em um acordo nem para dizer sobre os motivos que as pessoas têm para namorarem, como conseguem chegar em um acordo para namorar?

 Depois de alguns minutos de silêncio, a resposta foi:

- Não dá para saber o que a outra pessoa está sentindo. Mesmo se ela te disser, você pode ficar com insegurança, sem saber se ela está sendo sincera ou não. Mas namorar é gostoso, você poderia tentar...  

            Y ri, diz que tantos rodeios lhe parecem algo incompreensível. Como seres podem complicar tanto algo que pode ser tão simples... Diante da demanda por simplicidade, os garotos e garotas falaram sobre a importância do mistério: não saber pode ser estimulante, porque dá vontade de descobrir. Sem mistério, perderia a graça.

 - Mistério? Mas vocês não ficam nesse jogo de encontros e desencontros de uma forma bem repetitiva e previsível? Que mistério há nisso?

A petulância de Y gerou incômodo. Mas logo os garotos e garotas lembraram que em seu planeta é um hábito falar sobre o que se pensa tão diretamente.  

Continuavam conversando, mas o assunto nunca se esgotava. Parecia que Y iria embora com mais dúvidas do que quando chegou.  

...

            Não é só Y, por vir de outro planeta, que tem dúvidas. Não são poucos os enigmas que uma pessoa que nasceu e cresceu na cultura visitiada por Y se depara ao desejar e viver relacionamentos.  

O que faz com que as pessoas se sintam atraídas entre si? Como as pessoas que se sentem atraídas por alguém demonstram essa atração? Como pessoas que sentem atração podem imaginar se o que sentem é correspondido? Como pessoas que estão interessadas em envolverem-se se aproximam? O que muda nas interações de pessoas que estão interessadas em envolverem-se, afetivamente e/ou eroticamente? Como tem início um envolvimento afetivo? Como tem início um envolvimento sexual? Como envolvimentos afetivos e sexuais se combinam? Como se diferenciam? Quando as pessoas se tocam, se acariciam, se beijam, se estimulam, o que as faz sentirem-se excitadas? O que desperta sensações prazerosas? O que desperta sensações desprazerosas? Como as pessoas se expressam sobre as sensações prazerosas e desprazerosas que experimentam e que desejam experimentar? Como é o diálogo, a comunicação, como as pessoas que se envolvem conversam entre si? O que demonstram de forma direta? O que demonstram de forma indireta? O que sentem? O que fantasiam? O que esperam? O que falam e o que calam sobre o que sentem, o que fantasiam, o que esperam? O que pode mudar nas interações entre as pessoas após terem se envolvido afetivamente ou sexualmente? O que motiva a escolha para que os envolvimentos tenham continuidade? O que motiva a escolha para que os envolvimentos não continuem? O que acontece quando os sentimentos e expectativas não são compatíveis? Como as pessoas lidam com as frustrações? Como se sentem e o que fazem quando há compatibilidade de desejos e interesses?

Muitas perguntas poderiam ser acrescentadas à lista acima, que está extensa, mas distante de contemplar as questões que emergem quando o tema é relacionar-se.

Sentimentos, desejos, fantasias e formas de se envolver são tão múltiplos, assim como os modos de expressão sobre como as pessoas se sentem, o que desejam, o que fantasiam e como se relacionam. Diante de tantas possibilidades, nenhuma das perguntas elencadas pode ser respondida com explicações precisas, com definições completas, ou mesmo com explicações e definições satisfatórias.

Atrações, emoções, excitações, tesões, desejos, prazeres e outros elementos, podem parecer enigmáticos, especialmente para quem se depara com as primeiras experiências, mas não apenas, já que curiosidades, ansiedades, dúvidas, inseguranças e expectativas tendem a atravessar os encontros e desencontros com significativa frequência.

Os enigmas – com o que há de angustiante e com o que há de estimulante na busca por decifrá-los – persistem para além do frio na barriga que é esperado como mais típico entre iniciantes. Como afirma Pascal Bruckner (2011, p. 47) no capítulo A embriaguez do diverso:

Começamos nossa carreira amorosa sem chaves nem regras do jogo, com migalhas de informação, catadas aqui ou ali. Não dominamos os códigos desse universo fabuloso, e, se por acaso um dia os dominamos, eles mudam na mesma hora. (. . .) No aprendizado mais cotidiano do mundo, dou-me conta de que nem sempre sou desejado por quem eu desejo, amado por quem eu amo (. . .) Agradar é tão inexplicável quanto desagradar: por que certos seres se apegam em nós enquanto outros mal se dignam a nos considerar?

Não há chaves, não há regras do jogo, não há fórmulas... A ausência de indicações claras pode tornar as primeiras experiências (e não só as primeiras), fontes de inseguranças e tensões. Mas o fato de não haver coordenadas exatas não significa que não há referências. Longe de algo puramente espontâneo, impulsivo e improvisado, como agimos ou não agimos quando desejamos e quando sentimos algo novo está relacionado ao que aprendemos continuamente sobre os desejos e os sentimentos, com as expectativas e valores que assimilamos sobre como as relações são e sobre como devem ser. Com a análise sobre esses aprendizados que acontecem ao longo da vida, John Gagnon e William Simon propuseram em 1974 o conceito de “sexual scripts”, que pode ser traduzido para roteiros sexuais. Nas palavras dos autores:

A experiência efetiva do sexual e o que é feito sexualmente pelos indivíduos resultam das circunstâncias particulares de aprendizado de uma cultura específica. O campo do que é aprendido inclui todos os aspectos do sexual, inclusive a interpretação dos acontecimentos pertinentes à excitação sexual, ao prazer sexual e ao clímax sexual. As pessoas aprendem a ser sexuais em culturas específicas e em grupos sociais específicos dentro de qualquer cultura.

Os roteiros participam em como as experiências são imaginadas e em como são recordadas, em como é esperado que aconteçam e em como são relatadas. Mais do que uma imposição de regras, o que acontece é a incorporação de uma linguagem, de um modo de articular significados, expectativas, sequências, cenários, tornando as pessoas mais propensas a sentirem e agirem com o parâmetro do que aprenderam sobre como sentir e agir.

...

            Entre tantos enigmas, um dos roteiros que exerce significativa influência é aquele formado pelas expectativas e ideais românticos, principalmente entre meninas e mulheres, já que a sensibilidade, a delicadeza, a dedicação e a busca por agradar que são centrais nas idealizações românticas são associadas à feminilidade e julgadas como características impróprias à masculinidade, de forma que entre garotos e homens roteiros que estabelecem como finalidade frieza, controle, domínio, conquistas e prazeres sexuais diversos são mais frequentes. Considerando como há roteiros diversos que são, por vezes, incompatíveis entre si, escolho, hoje, como exemplo de roteiro, falar sobre a influência exercida pelos ideais de amor romântico.  

O amor é aprendido como um sentimento que será despertado por uma pessoa especial e única, capaz de tornar problemas e preocupações algo pequeno, esquecido, com o potencial de fazer com que as vidas se transformem. Felicidade, realização, complementariedade, são algumas das promessas que chegam com a transmissão de um roteiro. Quem não quer ser feliz, realizar-se, quem não quer completude?

            É um aprendizado que pode acontecer desde muito cedo. Um exemplo são as histórias infantis, como os contos de fadas. O “final feliz” é sempre atrelado ao encontro de um par romântico. Além dos encantados encontros entre princesas que são salvas pelos príncipes, o amor como algo sem o qual não é possível viver a felicidade não é transmitido também por filmes, novelas, músicas, poesias, revistas, sistes, livros de autoajuda, anúncios publicitários de diferentes marcas e produtos, como nos presentes propagados para a celebração do Dia dos Namorados...

Um sentimento que é representado como tão espontâneo, tão natural, tão essencial, tão intrínseco, na verdade foi repetido tantas e tantas e tantas vezes que acaba sendo algo estranho questionar sua naturalidade. É o que problematiza Laura Kipnis:

Pense na onipresente e canglorosa propaganda que refulge em nossa psique a cada hora: milhões de imagens de casais apaixonados aparecendo para nós nas telas de cinema, em aparelhos de televisão, cartazes, revistas, puxando-nos incessantemente para o trem do amor. Cada superfície bidimensional disponível alardeia o amor. (...) Mas se empenhar-se no amor é o triunfo do espírito humano, ou da natureza humana, ou é consumadamente “normal”, por que exige gastos tão grandes em relações públicas?

Evidentemente o amor é sujeito a tanta regulação quanto qualquer substância que induza ao prazer. Seja ou não uma fantasia que acalentamos enquanto nos agrada, livres como pássaros e borboletas, existe uma quantidade interminável de instrução social para nos dizer o que ele é e o que fazer com ele, e como, e quando. E nos diz, e nos diz: a quantidade de conselhos sobre como amar adequadamente é quase tão infinita quanto são limitadas as formas sancionadas que ele assume.

            Por que questionaríamos a naturalidade do amor? Qual é a importância de pensarmos sobre nossas relações como algo que construímos, sobre as expectativas acerca das nossas relações como algo que aprendemos?

            No livro Contra o amor: uma polêmica, Laura Kipnis (2005) discute como acalentar fantasias sobre o amor romântico como responsável por nos salvar, por dotar nossa existência de sentido, por fazer de nós pessoas realizadas e completas é algo que, ao invés de contribuir para que as pessoas que se relacionam possam buscar se compreender e construir juntas como desejam se relacionar, atua como um dificultador para como essas relações acontecem, por como são inalcançáveis as expectativas alimentadas. Diante dos prazeres que as experiências de relacionamento podem nos proporcionar e das frustrações com as quais podemos nos deparar, os ideais românticos estabelecem parâmetros que alimentam sensações de ansiedade, insegurança e insuficiência.

            Não é fácil colocarmos em questão o aprendizado que tivemos sobre um sentimento que nos foi transmitido como tão único e especial. É assim que me sinto quando vejo as figurinhas da coleção “Amar é”, que era tão encantadora para mim em minha infância.

Amar é

 

 

            Não é fácil colocar em questão, mas tentarei... Acrescentarei um ponto de interrogação às frases que acompanham as figurinhas da imagem acima:

            Amar é colar um no outro?

            Amar é querer estar amarrados?

            Amar é pensar nele o tempo todo?

            Amar é quando você adivinha o que ele está pensando?

            Amar é esquecer do mundo em seus braços?

            Amar é quando o amor está em tudo?

            Amar é ter certeza de estar destinados um ao outro?

            Amar é prometer ser fiel um ao outro?

            Amar é ter certeza de que ele está no seu futuro?

            Amar é ficar juntos e ser feliz para sempre?

Fusão, exclusividade, posse, eternidade, esquecimento do mundo, complementariedade, satisfação sem limites, sem fim... É assim que amar é? É assim que amar precisa ser?

A visita de Y foi uma forma de os garotos e garotas perceberem como são emaranhadas as experiências de comunicação quando as pessoas se aproximam e se envolvem. Sem conversarem sobre os próprios interesses e expectativas diretamente, ou mesmo acreditando que expressar o que sentem e desejam podem tornar a relação sem graça por privá-la do caráter misterioso e enigmático, não é surpreendente que mal-entendidos aconteçam quando as intenções das pessoas envolvidas não são compatíveis. No entanto, quando as expectativas se frustram, é pouco frequente que as pesssoas parem para pensar sobre essas expectativas, sendo mais comum que comecem a se perguntar sobre o que haveria de errado com elas mesmas, como se tivessem falhado ao não terem seus desejos correspondidos, suas idealizações realizadas. É o que discute Jurandir Freire Costa, no livro Sem fraude nem favor: estudos sobre o amor romântico:

Quando não realizamos o ideal imaginário do amor, buscamos explicar a impossibilidade culpando a nós mesmos, aos outros ou ao mundo, mas nunca contestando as regras comportamentais, sentimentais ou cognitivas que interiorizamos quando aprendemos a amar. (. . .) aprenderam a se considerar “infelizes”, “azarados”, “irrealizados”, “neuróticos”, “ansiosos”, “narcísicos”, “frustrados”, “medrosos” e outros estigmas auto-aplicados. (. . .) O ideal tem o assentimento de todos. Aprendemos a crer que amar romanticamente é uma tarefa simples e ao alcance de qualquer pessoa razoavelmente adulta, madura, sem inibições afetivas ou impedimentos culturais. O sentimento de insucesso amoroso é, por isso mesmo, acompanhado de culpa, baixa da auto-estima e não de revolta contra o valor imposto. Poucos são capazes de duvidar da “universalidade” e da “bondade” deste amor culturalmente oferecido como algo sem o que nos sentiremos profundamente infelizes. Acredito que, sem uma crítica à idealização do amor-paixão romântico, temos poucas chances de propor uma vida sexual, sentimental ou amorosa mais livre.

           

O autor defende, assim, uma reflexão mais sensível a como a ideia de que o amor seria algo espontâneo, essencial, natural, intrínseco é uma ideia aprendida, assim como são aprendidas as expectativas e regras que assimilamos sobre como os relacionamentos são, sobre como os relacionamentos devem ser, sobre como devem ser as pessoas para que possam viver o amor, sobre como o amor deve ser vivido e sonhado.

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A visita de Y ao Brasil contada no começo do texto foi inspirada em uma dinâmica feita em grupos sobre sexualidade e gênero com adolescentes, com o objetivo de promover o diálogo sobre como os relacionamentos acontecem e sobre como os modos de se relacionar são aprendidos. Algo que considero muito interessante no decorrer das dinâmicas é como os(as) adolescentes demonstram ser desafiante identificar como e quando expressar os próprios interesses, sentimentos e desejos, diante das muitas expectativas e padrões sobre como seria valorizado ou reprovável expressar-se (que são muito atravessados pelos padrões de feminilidade e masculinidade). Ao mesmo tempo em que saber o que outras pessoas desejam e sentem é um enigma, e que os próprios desejos e sentimentos podem parecer também enigmáticos, há uma espécie de roteiro, ainda que tácito, sobre como as aproximações e envolvimentos se dão. Surgirem dúvidas, ansiedades e inseguranças, nesse contexto, é algo muito comum, ainda que sejam tão raros os espaços em que adolescentes possam conversar abertamente sobre essas dúvidas, ansiedades e inseguranças, o que faz com que tantas vezes alguém pense que é a única pessoa a experiênciá-las (enquanto as outras pessoas estariam muito seguras, aproveitando despreocupadamente e despretensiosamente os prazeres que as aproximações e envolvimentos têm a oferecer).

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Nossas experiências amorosas estão relacionadas a como construímos nosso espaço no mundo, como significamos o que vivemos e construímos nossa identidade. O que compartilhamos com o(a) outro(a) constitui e dá sentido a nós mesmos(as), o que pode ser um processo estimulante, criativo e inventivo. Para finalizar, escolho reproduzir uma pergunta trazida por Costa (1998, p. 22):

“Nem crédulos, nem desconfiados, talvez a melhor pergunta sobre o amor seja aquela dirigida à nossa vontade de potência: como fazer da vida aquilo que queremos e não a cópia do que quiseram por nós?”.

            Um instigante enigma entre tantos roteiros.