Usuário

'Leia Diversidade' e 'IV Congresso Brasileiro Psicologia Ciência e Profissão'

Os eventos citados no título do texto e que ocorrem nestes dias de novembro marcam uma crescente preocupação do meio acadêmico para ampliar as discussões e portanto a visibilidade sobre igualdade de gêneros, feminismo e diversidade sexual.

O Congresso que ocorre de 19 a 23 de novembro reúne mais de 50 espaços de discussão sobre gênero e sexualidade (veja a programação do evento). O evento “Leia Diversidade” que ocorre no dia 21 de novembro, além de divulgar excelentes trabalhos publicados, também abrirá um diálogo sobre estes temas que muito nos interessam.

Como bem disse a divulgação do evento Leia Diversidade, as diferentes expressões da sexualidade humana ainda geram na população brasileira diferentes reações e questionamentos. Para refletir sobre essas questões, nada melhor do que estes espaços que têm se ampliado em função do crescente interesse no tema.

O evento é gratuito e debaterá as diferentes expressões de identidades e sexualidades humanas e seus impactos nas publicações.

Um dos temas abordados no “Leia diversidade” será a transexualidade. Devo ressaltar aqui que há um movimento que surgiu há muitos anos e que se ampliou em 2012 em função do lançamento do então novo DSM, chamado Stop Pathologization 2012, que luta pela despatologização da transexualidade e cujo manifesto é recheado de um discurso muito apropriado de teorias de gênero, e mostra a plena união entre o que se debate na academia e nas lutas sociais de diversidade sexual.

Tais debates se tornam prementes pois, se por um lado temos uma realidade social em que pela primeira vez transexuais podem ter reconhecido oficialmente seu nome social, o que mostra um respeito para com a diversidade, por outro lado temos ainda muitos maus tratos ocorrendo, como a negação a atendimento médico devido ao não reconhecimento do nome social de um travesti.

Quanto maiores os esforços de se aproximar o discurso acadêmico da realidade social, e de ampliar as discussões e a visibilidade sobre a diversidade sexual, maiores as chances de diminuirmos o desejo de patologizar os comportamentos de diversidade sexual que algumas instituições têm. Porque como diz o manifesto, o silêncio é cumplicidade.


dani-homeDaniela Smid é psicóloga graduada pela USP e especialista em sexualidade pela Faculdade de Medicina da USP. Psicanalista em formação pelo Instituto Sedes Sapientiae e interessada em pesquisas sobre gênero, feminismo, corpo, psicopatologias do social e medicalização da vida.
Mais textos da autora