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Redução de danos: psicólogos criam aplicativo para orientar usuários de drogas

app reducaoComer antes de beber diminui a chance de passar mal. Evitar café antes de dormir garante um sono tranquilo. E não compartilhar seringas ao usar drogas injetáveis evita a contaminação com o vírus da Aids. Informações como estas estão disponíveis no aplicativo Redução de Danos, idealizado por grupo de psicólogos que atua no tratamento de dependentes químicos.

O programa, primeiro do tipo no País, está disponível para download em smartphones com sistema Android há cerca de um mês. No período, foi baixado por quase 3.000 pessoas, inclusive de fora do Brasil, em países como Estados Unidos, Argentina e México. É caracterizado por um banco de dados sobre as principais drogas, com informações sobre elas e como minimizar os riscos ao usá-las.

A medida é polêmica, mas políticas de redução de riscos no uso de entorpecentes são realidade no País desde 2006, com a Lei 11.343, conhecida como Lei de Tóxicos. O artigo 20 diz que “constituem atividades de atenção ao usuário e dependente de drogas e respectivos familiares, para efeito desta lei, aquelas que visem à melhoria da qualidade de vida e à redução dos riscos e dos danos associados ao uso de drogas.” Na região, inclusive, as prefeituras de Diadema, Mauá, Santo André e São Bernardo trabalham com o conceito (leia mais ao lado) em suas redes de Saúde Mental.

Um dos idealizadores do aplicativo é o psicólogo e morador de Diadema Bruno Logan Azevedo. Segundo o especialista, o programa é voltado tanto para os usuários de drogas que não podem ou mesmo não querem deixar de usar no momento quanto para aqueles que atuam com os dependentes. “Reunimos informações relevantes recolhidas por meio de pesquisas científicas, inclusive em bancos de dados internacionais, e também com os próprios usuários.”

Conceito

Segundo a pesquisadora do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependências) da Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e colaboradora do projeto Andrea Domanico, redução de danos é um conjunto de estratégias para minimizar os riscos causados pelo uso de drogas, respeitando o direito das pessoas consumirem o entorpecente, já que no País é crime somente portar ou traficar drogas. “Em torno de 10% a 15% da população desenvolve vício. O restante faz uso recreativo. A redução de danos serve para ambos.” Segundo a pesquisadora, o conceito surgiu no Brasil durante a luta contra a Aids, em 1989.

No aplicativo é possível encontrar informações sobre drogas como álcool, tabaco, maconha, cocaína, LSD e até mesmo Viagra e o tradicional cafezinho, que contém cafeína, substância psicoativa que causa efeitos no organismo.

O próximo passo, segundo Azevedo, é disponibilizar o sistema para download em iOS. “Nossa estimativa era alcançar 5.000 downloads em um ano. Chegamos a 3.000 e continuamos crescendo. Quanto mais informação, menos danos.”


 

 

Camila Galvez
Diário do Grande ABC