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Psicólogos avaliam a 'crise da meia-idade' dos 30 anos

Está cada vez mais comum escutar história de pessoas que chegam aos 30 anos de idade com uma sensação de arrependimento ou insatisfação. Esse fenômeno social ganhou o nome de “crise de meia idade” - mas, há algum tempo, parecia afetar o pessoal na casa dos 40 a 50 anos. E, apesar de ser tratada em um tom patológico, esse tipo de crise não é um problema clínico, afirmam especialistas.

Para o psicólogo consultor Dr. Michael Sinclair, isso é consequência da ansiedade gerada por suas escolhas de carreira e experiências de vida. “Esses problemas estão mais comumente associados às pessoas de 40 anos, que começam a pensar na mortalidade. Elas estão saindo daquele momento em que só possuem um foco e se perguntando: Qual é o ponto de trabalhar?”.

No entanto, a crise está chegando antes, para as pessoas que estão alcançando a casa dos 30. Louise Matthews, especialista em recrutamento pessoal, disse em entrevista: “Nós temos tanta coisa acontecendo e tanta informação que isso pode ser muito estressante”.

O conceito da crise de meia idade foi criado em 1965, pelo psicólogo Elliot Jaques, que a definiu de tal maneira: “É o encontro adulto da concepção de vida a ser vivida com a aproximação pessoal da morte”. Além disso, esse fenômeno carregou por muito tempo a estigma do homem de quarenta anos que troca família por carros esportivos e namoradas mais jovens.

Para o pesquisador Nattayudh Powdthavee, isso mostra perfeitamente a relação entre envelhecer e o uso de antidepressivos. Como afirma, “quando você entende isso, fica mais fácil pensar sobre o caso e aguardar a melhora”. Já para Hannes Scheandt, da Universidade de Princeton, o problema é que os jovens são “muito otimistas”. Isso pode gerar algum arrependimento ou quebra de expectativa na casa dos 40. O doutor afirma: “Talvez pessoas na meia idade possam aprender sobre o arrependimento com as pessoas idosas”.

Outros especialistas acreditam que trabalho é o motivo número um para a crise de meia idade. “Eles começam a se perguntar qual legado deixarão para trás. Começam a ficar mal e desconectados. Por possuírem um trabalho e um salário, não sabem exatamente o que almejar. E aí ficam insatisfeitos com suas vidas; na esperança de fazer algo mais significante”, afirma o técnico em carreiras Jodie Rogers.

Mas Susan Krauss Whitbourne, professora da Universidade de Massachusetts entende isso de uma forma completamente diferente: “A idade é algo construído socialmente, totalmente dependente do indivíduo. Ver a meia idade como um momento propenso para crises é análogo ao horóscopo: traz certeza e expectativa... Traz uma desculpa”.

“Trabalhadores mais velhos recebem tarefas mais “chatas” por serem funcionários mais experientes. Contudo, eles notam que os jovens recebem uma responsabilidade criativa e inovadora que talvez gostassem de ter. Isso faz com que se sintam desvalorizados”, conclui Patricia Cohen, escritora da obra ‘The Invention of Middle Age’ (ainda sem edição no Brasil).

Revista Galileu