Promotor interdita comunidade terapêutica que 'sequestrava' pacientes psiquiátricos em Curitiba

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Local atendia dependentes químicos e pessoas com transtornos mentais.
Pacientes eram mantidos em quarto com janelas fechadas com tapumes.


Uma comunidade terapêutica para recuperação de dependentes químicos foi interditada pela 4ª Promotoria de Justiça de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, nesta quinta-feira (16). De acordo com o promotor de Justiça Willian Lira de Souza, os pacientes eram internados à força e sem autorização judicial. "Ocorria um sequestro, nem era um resgate. O paciente era levado algemado para essa suposta clínica", complementou.

Segundo o promotor, o local tinha várias irregularidades. "Chegamos nesta comunidade a partir de uma denúncia. O ambiente atendia irregularmente dependentes químicos menores de idade e pessoas com transtornos mentais", disse. No local, 26 pessoas estavam internadas.

ct-interditada-2A ação de fiscalização que também foi realizada pela Vigilância Sanitária e Secretaria de Assistência Social de São José dos Pinhais, com apoio da Guarda Municipal e da Polícia Militar (PM), constatou problemas estruturais no ambiente, como más condições de acomodação e de alimentação. Os residentes também relataram que a comunidade não oferecia nenhuma condição para promover a recuperação dos dependentes químicos, apesar de cobrar um alto valor pela estadia.

"Um quarto era usado como cela. A janela era fechada com madeira e algumas pessoas ficavam 30 dias nesta cela sem poder sair. Elas faziam as necessidades fisiológicas em um galão de água ou na roupa. Até seis pessoas ficavam internadas ao mesmo tempo neste quarto", explicou o promotor.

Ainda conforme a promotoria de Justiça, todos os pacientes que eram atendidos no local serão encaminhados às famílias ou para clínicas adequadas para receberem atendimento. "É preciso frizar que estas famílias eram enganadas. Elas achavam que o paciente receberia um atendimento adequado", disse Souza.

A interdição da comunidade terapêutica faz parte de um inquérito aberto na 4ª Promotoria de Justiça de São José dos Pinhais.

 

Thaís Skodowski
G1 PR