Nova produção da Pixar, "Divertida Mente" fala sobre importância da tristeza

Depois de passar dois anos sem lançar um longa de animação –fato inédito desde 2006--, a Pixar retornará aos cinemas em 2 de julho de 2015 com "Divertida Mente", uma animação protagonizada pelas emoções da garotinha Riley –Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho--, que comandam os comportamentos, reações e memórias a partir de um centro de comando na mente.

"Acho que é muito corajoso fazer um filme em que é a Tristeza quem salva o dia", afirmou Jim Morris, presidente da Pixar, durante visita ao Brasil.

Na trama, apesar de Riley ser uma garota alegre, a pré-adolescência e uma mudança de cidade bagunçam as coisas na mente da menina, levando a um desentendimento que coloca a Alegria e a Tristeza para fora do centro de comando e em uma jornada pelas diversas regiões da mente. Em duas cenas inéditas assistidas pelo UOL já fica evidente que a animação bebe em fontes espinhosas –como a psicanálise e a neurociência-- e toca em temas delicados, como a depressão, sem deixar de lado a riqueza visual e o humor que caracterizam as produções da Pixar.

"A Alegria sempre tenta arrumar as coisas, mas é a Tristeza quem colabora para que tudo funcione. E é uma ideia complexa, estávamos muito preocupados. Mas fizemos uma exibição com algumas crianças e elas todas entenderam tudo. Acho que há muito pouco que as crianças não entendem. Elas solucionam as coisas, são muito espertas e às vezes entendem até melhor do que os adultos", acredita.

 

Se as crianças entenderam bem a ideia do filme, talvez seja porque ele foi inspirado em uma delas: a filha do diretor Pete Docter.

"Pete Docter observou sua filha crescer, e ela era essa criança feliz. Mas, de repente, entrou na pré-adolescência e começou a ficar pelos cantos, amuada. Ele se perguntava: 'o que aconteceu com a minha garota?'", conta Morris, descrevendo um comportamento muito parecido com o de Riley nas cenas do filme.

"As coisas que acontecem no filme são muito genuínas. Mas o que levou Pete a essa ideia, depois de pesquisar, é que, mesmo que queiramos que as pessoas sejam felizes e alegres, elas têm que ficar tristes às vezes. E ele percebeu que tinha que deixar sua filha passar um pouco por aquilo para ajudar no processo de crescimento e em seu equilíbrio. Ela não tinha que ser sempre feliz e animada. Há algo curativo em chorar e passar por um período de tristeza para chegar ao próximo estágio", acredita Morris.

Veja o trailer:

Natalia Engler
UOL Entretenimento