Foco na terapia e família e não nos medicamentos é mais eficaz contra esquizofrenia, diz novo relatório norte-americano

O tratamento para os pacientes de esquizofrenia envolve, normalmente, altas doses de medicamentos antipsicóticos, empregados para minimizar a intensidade dos delírios e alucinações. Mas tais medicamentos costumam gerar efeitos colaterais indesejáveis, como ganho de peso e tremores debilitantes.

Um novo estudo, financiado pelo governo americano, pode ajudar a transformar esta situação. De acordo com a pesquisa, uma das maiores realizadas sobre esse assunto, pessoas que receberam doses menores de antipsicóticos e uma ênfase maior em terapia e apoio familiar tiveram recuperação mais significativa ao longo dos dois anos de tratamento em relação a quem recebeu atendimento com foco nos remédios.

karine daisayO relatório da pesquisa, financiada pelo Instituto Nacional de Saúde Mental (NIMH) dos EUA, foi publicado nesta terça-feira no periódico "American Journal of Psychiatry".

A abordagem holística que o estudo testou se baseia em programas da Austrália, da Escandinávia e de outros países, que têm obtido resultados superiores aos dos tratamentos tradicionais. Segundo os pesquisadores, os antipsicóticos funcionam muito bem para algumas pessoas. Mas para a maioria seus efeitos negativos, como ganho de peso, sonolência extrema e entorpecimento emocional não compensam a relativa melhora nos sintomas. Quase três quartos dos pacientes abandonam o uso do medicamento em até um ano e meio, segundo estudos.

Na pesquisa os medicamentos foram utilizadas nas doses mais baixas possíveis. Em alguns casos, a redução chegava 50%, derrubando os efeitos colaterais. A equipe de investigação liderada pelo médico John M. Kane, presidente do departamento de psiquiatria na Hofstra North Shore-LIJ School of Medicine, fez os levantamentos em 34 clínicas aleatórias em 21 estados dos EUA, onde eram oferecidos tanto os tratamentos convencionais quanto o conjunto alternativo de ações proposto pela equipe.

A proposta incluiu três elementos, além da medicação em baixas doses: a psicoterapia, em que a pessoa com o diagnóstico era estimulada a construir relacionamentos sociais, reduzir o uso de substâncias e melhorar o controle pessoal dos sintomas; a orientação com o trabalho ou a escola, como auxílio na decisão entre cursos ou oportunidades mais adequadas ao paciente, dentro das suas condições; finalmente, capacitação dos membros da família para uma maior compreensão sobre o transtorno.

A equipe recrutou 404 pessoas que já haviam passado pelo primeiro episódio de psicose. Cerca da metade recebeu o atendimento combinado e a outra parte ficou com a abordagem usual. Os médicos monitoraram os dois grupos usando listas de verificação padronizadas que avaliam a gravidade dos sintomas e a qualidade de vida dos pacientes.

Como resultado, os 223 pacientes que receberam o tratamento alternativo tiveram maior aderência ao tratamento, obtiveram melhora mais expressiva na qualidade de vida e na gravidade dos sintomas, e conquistaram maior envolvimento no trabalho e/ou nos estudos em comparação com os 181 participantes submetidos ao tratamento tradicional.

 

Com informações de O Globo