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O uso de remédios psiquiátricos em crianças

Nos últimos 10 ou 15 anos crianças começaram a ser medicadas com remédios psiquiátricos. Surgiu uma gama enorme de antidepressivos, novos antipsicóticos com menos efeitos colaterais que os mais antigos e muitos anticonvulsivantes começaram a ser utilizados como estabilizadores de humor. O uso de ansiolíticos tem sido substituído pelo de antidepressivos, pois diminuem a ansiedade e há outras medicações que provocam alívio imediato para essas crises.

Todas essas drogas estão à disposição dos psiquiatras e pretendem melhorar a vida das crianças. Se bem usadas aliviam muitos sintomas. Mas é ilusão acreditar que escalas, tabelas ou mesmo um diagnóstico psiquiátrico podem gerar compreensão sobre o que se passa com uma pessoa, no seu mundo interno.

O remédio trata os sintomas; por exemplo, o de agitação, mas temos que pensar o que está promovendo esse sintoma na criança. Que tipo de ansiedade ela está enfrentando? O que está gerando essa ansiedade?

A medicação psiquiátrica na infância também expressa a cultura da pressão por bom desempenho, afinal nossa Sociedade exige cada vez mais das crianças e cada vez mais cedo, desrespeitando o tempo de maturação de cada um.

Embora os remédios ajudem a tratar os sintomas, na verdade eles não ajudam a desenvolver recursos internos que são o que, verdadeiramente, habilitam as crianças a superarem suas dificuldades.

É de fundamental importância fazer uma avaliação criteriosa que nos permita um contato mais profundo e uma visão dinâmica do que se passa com a vida emocional dessa criança e com a família. As psicoterapias devem ser aliadas ao tratamento medicamentoso, pois possibilitam à criança a criar recursos próprios para enfrentar as dificuldades do crescimento.

 


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Luciana Saddi é psicanalista, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise (SP), mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e autora dos livros de ficção O amor leva a um liquidificador  (Ed. Casa do Psicólogo) e Perpétuo Socorro  (Ed. Jaboticaba).  Assinou por mais de dois anos a coluna Fale com Ela na "Revista da Folha", do jornal Folha de São Paulo. Representante do Endangered Bodies no Brasil.
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