Álcool é a droga mais usada no mundo

O álcool é a droga mais usada no mundo. Em baixas quantidades tem efeito estimulante e libera a censura; em grandes funciona como um sedativo: causa lentidão física e emocional, sonolência e torpor. Alguns bebedores têm maior tolerância ao álcool e não sentem os efeitos desagradáveis da ingestão de grande quantidade. Portanto, o risco de se tornarem dependentes aumenta. Inúmeros fatores físicos e psicológicos levam os bebedores à dependência.

Nos estágios iniciais o bebedor se assemelha a qualquer outro, difere apenas na grande capacidade de tolerar o álcool e de desfrutar seus efeitos prazerosos. O uso abusivo da droga e a dependência estão em curso, afinal há um processo se instalando (no caso do álcool o processo costuma ser longo), os efeitos prejudiciais serão sentidos no futuro.

Na fase intermediária a síndrome de abstinência já dá seus sinais: tremores, agitação, náusea, sudorese e insônia; sintomas que passam mediante a ingestão de mais álcool. Apesar da ressaca ele não consegue cumprir as inúmeras promessas de parar de beber - sente vergonha e culpa. É incapaz de se controlar. A depressão e a angustia se apoderam dele, mesmo assim, nega a dependência e, em geral, não aceita tratamento.

Se os sintomas da abstinência piorarem, as chances de aceitar ajuda aumentam. Os inúmeros prejuízos acumulados em função do abuso e dependência do álcool são um termômetro importante para os familiares agirem a favor do tratamento.

A fase final é marcada por enorme deterioração física e psicológica. O sujeito passa grande parte de seu tempo bebendo, de outro modo sua agonia seria torturante.

Familiares e empregadores por meio de conhecimento científico e dispositivos de confrontação podem levar o dependente ao tratamento. Não devem encobrir os prejuízos causados pela bebida nem poupar o bebedor das consequências de seus atos. Para que a ação de ajuda seja proveitosa é fundamental obter orientação junto a grupos de apoio e junto a profissionais que lidam com a dependência de drogas e álcool, pois o bebedor luta contra o diagnostico, se aferra a doença e resiste.

Equipe multiprofissional especializada, orientação familiar, internação e conscientização são fatores indispensáveis para fazer frente à complexidade desse sofrimento.

A identificação precoce de que uma há uma relação perturbada com a bebida e que um processo de dependência está se instalando é um fator muito importante para o sucesso do tratamento.


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Luciana Saddi é psicanalista, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise (SP), mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP e autora dos livros de ficção O amor leva a um liquidificador  (Ed. Casa do Psicólogo) e Perpétuo Socorro  (Ed. Jaboticaba).  Assinou por mais de dois anos a coluna Fale com Ela na "Revista da Folha", do jornal Folha de São Paulo. Representante do Endangered Bodies no Brasil.
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